quinta-feira, 24 de setembro de 2009

POLO DE ATENDIMENTO EXTRAESCOLAR

Muitas escolas do município do Rio de Janeiro ainda não sabem que podem contar com um serviço da própria rede, chamado Polo de Atendimento Extraescolar, para recorrer como um braço de apoio ao aluno com dificuldade de aprendizagem.
As escolas madam relatórios de seus alunos, o Polo recebe e marca data de entrevista com os responsáveis dessas crianças ou adolescentes.
O trabalho é semanal, com cada grupo formado, e dura de 10 a 12 encontros de 1hora e meia.
Cada CRE conta com 2 a 3 Polos.
Nosso Polo, Sobral Pinto, é um dos Polos da 7ª CRE, e funciona no anexo da Escola Municipal Sobral Pinto, sob a coordenação da professora Lucyene Calmon e sua equipe de professoras:
Margarete Siqueira, Marcia de Macedo, Sheila Martins e Katia Martinelle.
Se voce quiser saber mais sobre o nosso trabalho, estaremos aqui, semanalmente, falando um pouco do Polo, dos nossos alunos, das nossas dificuldades e das nossas construções.
Acompanhe!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PELO CORPO TAMBÉM SE APRENDE A LER

A criança é uma liberdade construída, mas o adulto é uma liberdade acabada. Não poderia sê-lo. Pelo menos poderia ter mais cara de liberdade. Talvez sua infância tenha sido pouca.
Falo de liberdade e me vêem imagens. Vejo uma rua, garotos correndo, meninas pulando corda, gritos, gargalhadas... Ah, a rua! Só falam de tirar crianças da rua. Para sempre? Eu sonho com as ruas cheias delas. É perigo urbano? De quem serão as ruas? Da polícia e dos bandidos? Vejo por outro ângulo: um dia devolver a rua às crianças, ou devolver as crianças às ruas; ficariam, ambas, muito mais alegres.
Escolas também podem ser tristes, até perigosas. Na escola de dia inteiro, que a violência que assisto me faz engolir, é perigoso confiar plenamente no Estado. Eu não arriscaria. A escola de dia inteiro é um paliativo ou definitiva? Não será suficiente para o Estado, que sofre de insônia, mas sonha com um Admirável Mundo Novo. Alunos ou clones?
Outros tipos de imagens, com um pouco de esforço, a gente pode formar. Imagens de crianças correndo, pulando, brincando até dentro da escola. Mas onde? Na sala não, é lugar de silêncio. No pátio, sim, na hora do recreio, na hora de recriar tudo de novo que o Criador já criou. As crianças brincam de criar de novo, do jeito da fantasia. Mas na aula de educação física também não pode, porque aula é aula e não lugar de se mexer, de fazer bagunça.
Mas falemos um pouco sobre a pedagogia de que pelo ouvido também se aprenda, desde que existam sons. Quem aprende tem que ser provocado. Nada provoca mais a criança que o movimento, a luz, o som, as cores. Pelo salto, como pelo abraço ou a brincadeira também se aprende. Concordo que o estudo, tanto quanto o trabalho seja coisa séria e não sisuda.
Abaixo a metodologia do traseiro. Há séculos que a escola, essa velha senhora, insiste na tese de que a criança tem que ficar sentada o tempo todo para aprender. Aliás, para aprender o que? Essas coisas bonitas que a gente vai criando no pensamento é porque fica o tempo todo sentado, fazendo lição? E aquela vida lá fora, de barulho, de confusão, é outra vida que não faria parte dessa mágica de aprender?
Um dia decretaram que nossos filhos já não aprenderiam com o corpo inteiro. Aos sete anos de idade eles iriam para a terra da imobilidade, para se preparar para a vida. Seriam três a quatro horas por dia presos a pequenas carteiras, durante anos sem fim. Mas, o que é que eles fariam com tudo aquilo que aprendiam por aí, com os amigos, o pai, a mãe, os brinquedos, até com a televisão?
O que fazer com os gritos, o choro, o sofrimento físico e o riso? É preciso fazer uma desinfecção de vida para aprender português e matemática?
Pelo corpo também se aprende a ler. Porque é tudo mentira que a gente só aprende se ficar quietinha, sentada na carteira, sem falar, sem ver, sem ouvir. Criança é movimento, é ação corporal, muito mais que reflexão. Não há pensamento que se forme sem que passe pelo gesto. A vara de condão dessa mágica chamada conhecimento é o corpo. É pela ação corporal que a criança conhece o mundo. É a ação corporal que ela transforma em símbolos, em linguagem, em raciocínios. É preciso se mexer para viver, para aprender, para criar. Os adultos se escandalizam com crianças trancadas em escola. Está certo que a prisão da carteira é muitas vezes atenuada por umas figuras maravilhosas que a gente chamava de professora e agora chama de "tia". Mas essas professoras seriam tão mais professoras, e as "tias" tão mais "tias" se não participassem do complô contra o direito humano da criança viver o seu corpo! Bem na hora em que ela começa a deixar de ser, o centro, quando começa a ser sociedade, a sociedade começa a confiná-la em espaços individuais; o adulto que não suporta se mexer, "educando" a criança que não suporta ficar parada. Não haveria uma outra relação possível? Não haveria uma outra forma de educação? Há pessoas que defendem uma educação, inclusive na educação física, feia, chata e triste. Não me incluo entre elas.
Nunca esqueci de minha primeira professora, mas também da alegria que sentia quando batia o sinal da saída. Será que a escola não tem inveja da hora do recreio? Será que não sente inveja da alegria louca da criança quando bate o sinal? Sinto dizer, e é mais para quem gosta de cinema, que às vezes acho a escola muito parecida com a velha "Morla", a tartaruga do filme, "A História Sem Fim"

(Texto extraído do livro "Recreação Musicada" , Geni Araújo da Costa. UFV)